terça-feira, 2 de março de 2010

Anjos (T.S. 18:37 PM)

Nico, 19 anos, que gostaria de ser Nikolas e não Nicolau, mas herdara o nome luso do avô, esperava impacientemente pelo seu ônibus, que sempre demorava muito, mas hoje, especialmente, demorava ainda mais para passar naquele ponto lotado da rua Teodoro Sampaio.
A Teodoro de calçadas estreitas, muito trânsito e muita gente, inclusive os muitos “istas”, guitarristas , baixistas, bateristas, violonistas, tecladistas... Entre outros*.
No IPod de Nico, Hendrix toca "Crosstown Traffic".
Apesar das espinhas na testa, Nico não era feio, era sim, muito tímido e não fazia sucesso com as mulheres. Passava sempre despercebido, não era alto, com seu 1,73m, e não tinha coragem de tomar a iniciativa com o sexo oposto. Mas ele não suportava mais ser o alvo preferencial das gozações dos amigos, dizendo que as espinhas eram por masturbação excessiva ou das insinuações de que era gay.
Nico, 19 anos, que gostaria de ser Nikolas, na verdade, era virgem!!!
Mari, 37 anos, que era Margarida Eli por escolha materna e escondia de todos o nome composto, descia a Teodoro Sampaio segurando as lágrimas. Voltava da farmácia onde fora comprar remédios para a asma brônquica de sua filha de nove anos. A pequena teve uma crise na escola, o que se tornava cada vez mais freqüente nos dias frios e poluídos de São Paulo. Com o pouco dinheiro que tinha só conseguiu comprar um dos remédios receitados pelo médico, o xarope, que era o mais barato. O nebulizador indicado para as crises, então, era um sonho impossível.  

Nico conseguiu arrumar emprego como assistente em um estúdio de som na rua Alves Guimarães. O estúdio funcionava em uma casa antiga, na vila, entre a Teodoro e a Cardeal Arco Verde. Lá, passava o dia ouvindo os músicos tocando, bebendo e conversando sobre mulheres. E Nico só pensava nas mulheres. O uso de drogas era “quase” proibido no estúdio. Trabalhava durante o dia e a noite fazia cursinho. Cursinho não sabia direito pra que, mas sua mãe, pobre viúva e trabalhadora, sonhava em um dia ver seu filho doutor.

Mari, que nunca quis ser Margarida Eli, era professora de educação física em um colégio público na Zona Leste. Com os mil e quinhentos reais que ganhava, fazia malabarismos para sustentar a família toda. Ela, a filha e o marido deprimido e desempregado há quase três anos.

Mari era casada há quatorze anos com Herculano, que investiu todas as economias do casal numa Academia de Fitness de três andares no bairro de Santana, e perdeu tudo, inclusive sua auto-estima. Herculano, com quem começou a namorar nos tempos de faculdade, foi o seu primeiro e único homem. Herculano, que há dois anos e sete meses está jogado no sofá vendo futebol, novela e o que mais passar, com a cerveja em uma mão e o controle remoto na outra. O professor Herculano que tinha 1,92m e 90kg de músculos, hoje tem 127kg de flacidez e desesperança. O sedutor professor Herculano, que hoje, não pega mais ninguém, muito menos sua esposa.

Nico prometeu a si mesmo que com o seu primeiro salário, de seiscentos reais, separaria metade para ajudar sua mãe a pagar o cursinho, e usaria a outra metade com uma profissional do sexo. Assim resolveria de vez o seu problema. 

Mari, não sabia o que era sexo há mais de dois anos. Mas, apesar das rugas começando a aparecer, - mais por falta de cuidados -, do alto de seus 1,81m,  continuava  sendo uma mulher atraente e bonita. Tinha sido Rainha dos jogos Abertos do Interior, nos seus tempos de jogadora de vôlei. A atividade constante mantinha seus músculos rijos e tudo no lugar certo. O agasalho esportivo que usava, evidenciava isso. Mesmo com algumas crises gástricas, a necessidade de sobrevivência e os cuidados com a filha  não lhe davam tempo de lamentar a vida, muito menos de pensar em si mesma. 

Hoje, Nico não vai ao cursinho. Hoje, ele recebeu seu primeiro salário!!! Sua cabeça vai a mil!!! Ele pensa e repensa milhares de vezes em como vai abordar e contratar uma profissional.
Ansioso e cansado de esperar pelo ônibus, aumenta o volume do rock no seu IPod e senta no degrau da porta do 306, um antigo prédio de quatro andares ao lado do ponto de ônibus lotado. Mick Jagger canta "I can get no... Satisfaction" em seus ouvidos.
Mari chega em seu prédio, e o maldito ponto de ônibus bem em frente de sua casa, faz com que tenha que se contorcer no meio das pessoas ali estacionadas e mal humoradas para poder entrar. 
Depois de meia dúzia de “com licenças” e alguns empurrõezinhos, finalmente consegue chegar perto da porta. Mas, quando se distrai para pegar a chave, um vulto se levanta de repente e esbarra nela. O remédio da filha cai e se espatifa no chão!!! 

Mari  olha para o xarope da filha escorrendo pela calçada e grita:

- Seu filho da puta!!!!

O filho da puta nesse caso, apesar de sua mãe não exercer essa profissão, era Nico, que distraído pelo som alto, só percebera a chegada de Mari no susto, em cima da hora.

Desesperada, ela tenta salvar um pouco do remédio... Mas em vão.

Dessa vez é Mari que senta no degrau da porta e chora.

Nico tira o fone de ouvido, mas  permanece imóvel, sem saber o que falar.

Mari aperta a receita do médico entre as mãos e chora ainda mais:

- O remédio de minha filha, e agora, meu Deus???
As pessoas do ponto observam e tecem comentários maldosos sobre Nico e o acontecido.
- Me..., me...me desculpa...diz ele nervoso.
- Desculpa??? Meu dinheiro acabou...e não tem mais remédio pra minha filha!!!

De repente Nico toma a receita da mão de Mari e sai correndo.

- Onde você vai moleque??? Dá minha receita de volta!!!

- Eu já volto!!! Diz ele abrindo espaço entre as pessoas.

“É maluco, pensou Mari, é só o que me faltava agora...um maluco roubou minha receita!!!”

Dez minutos depois, quando ela recomposta e conformada abre a porta para entrar em casa, ouve uma voz:
- Espera!!! Era Nico chegando, esbaforido.- Comprei o remédio da sua filha!!!
- Como assim??? Pergunta Mari, sem acreditar.

- Pega aqui, diz Nico, oferecendo duas sacolas, uma maior e outra menor.
Mari pega as sacolas e vê que ele tinha comprado os três remédios!!! E na sacola maior estava nada menos do que o sonhado nebulizador!!!

- O...obrigada, mas não posso aceitar…diz  tentando devolver as sacolas. Ela tinha feito um levantamento de preços antes e sabia que aquela compra não sairia por menos de duzentos e trinta reais.
- Aceita sim, diz ele, você sabe que sua filha tá precisando…

- Mas é muito caro!!! 

- Nem pensar… Nico falava com uma segurança incomum para ele.
- Ah, e a receita tá junto do nebulizador.
- Olha, eu agradeço. Reconheço que você não é nada do que eu pensei… Desculpe ter te xingado, mas vai devolver isso.

- Não mesmo… 

– Eu fico só com o xarope então… Mari tenta em vão convencer o rapaz.

-…E me desculpe pelo acidente. Diz Nico, se virando para ir embora.

- Espera!!! Grita Mari, que no ímpeto abraça fortemente o rapaz e desaba a chorar novamente.
Nico fica completamente sem ação.

- Obrigada!!! Obrigada!!! Você não imagina... Ninguém faz nada por mim, nem por minha filha. Eu precisava tanto desses remédios. Você é um anjo que Deus mandou!!! Diz Mari chorando.

De repente ela segura o rosto dele com as duas mãos e o beija. Beija na boca!!! Um beijo forte, úmido, chorado. Nico fica nervoso, podia contar nos dedos de uma mão o número de vezes que beijara uma garota. Nunca fora beijado com essa intensidade.
E agora por aquele "mulherão"!!!
Mesmo não sabendo direito o que fazer, ele acaba correspondendo. De repente sente seu membro intumescido com a proximidade do corpo de Mari, e fica envergonhado.
- Me desculpe.... Diz, tentando descolar seu corpo do dela.

Ela olha nos olhos dele e o beija de novo grudando ainda mais seu corpo no dele.

A “platéia” do ponto de ônibus começa a se manifestar contrariamente à forte demonstração de “carinho”.

Uma senhora ao lado comenta:

- É muita falta de vergonha, ela podia ser a mãe dele!!! O fato de ela ser mais alta que ele acentuava a diferença de idade dos dois.

- E ainda por cima ela é casada!!! Comenta outra.

Mari interrompe os beijos, puxa Nico e as sacolas para dentro do prédio e bate a porta.

Ainda ouvem comentários maldosos e vaias que vem de fora.

- Gente enxerida!!! Cuidem de suas vidas!!! Diz Mari, irritada.

- Mas você é casada mesmo??? Pergunta Nico intimidado.

- Sou...aliás, era até agora!!! Pronto não sou mais!!!  Diz Mari, tirando a aliança e voltando a beijar o rapaz.

São interrompidos novamente por um bater de porta e passos descendo as escadas.

Mari puxa novamente Nico pela mão e o leva para uma pequena porta embaixo da escada.
 Eles entram curvados, principalmente ela, fecham a porta e acendem a luz. É um cubículo de mais ou menos 2m por 1m. Com o teto em declive acompanhando a descida da escada, com a parte mais alta tendo não mais de 1,85m. Cheia de baldes vassouras, produtos de limpeza e algumas baratas.

- Nós vamos ficar aqui??? Pergunta Nico incomodado.

- Sshhhh!!! Mari pede silêncio.

Os passos descem toda a escada e ouvem a porta da rua bater.

Quando ele pensa em sair, Mari o agarra novamente e entre beijos "calientes" começa a abrir o botão de sua calça. Mas para a sua surpresa encontra o “mastro” descendente.

Ela para respira forte e pergunta:
- Ok, passou a vontade... Eu lembro a sua vó??? Sou muito velha e caída pra você???
- Não, não é nada disso!!! Não mesmo!!! Você é um sonho, é linda demais!!!

- Tudo bem não precisa justificar, não... Eu forcei a barra.
- Não, eu juro, o problema não é você!!! Eu é que estou nervoso demais!!!
- Por que eu sou casada???

- Também... mas, principalmente, porque...

- Porque..., repete ela.

-...porque eu ...eu sou virgem!!! Nico se encolhe como se tivesse sido desmascarado e admitisse sua derrota.
Ela sorri e volta a beijá-lo de uma forma mais terna, sem tanta sofreguidão.

- Você é lindo!!! Cochicha em seu ouvido. Ela o abraça e enche de carinhos até acalmá-lo.
Quando sente que a “firmeza” dele voltou pergunta:

- Você tem camisinha???

- Uma coleção!!! Responde Nico, animado.

O que aconteceu nos próximos doze minutos é proibido para os não virgens.

Os dois saem sorrateiramente do depósito de material de limpeza, tentando se recompor, e caminham para a porta da rua. Antes de chegarem, a porta se abre e entra um senhor calvo, de óculos e pouco sorriso.

- Boa noite, Seu Adhemar, cumprimenta Mari.

- Boa noite, D. Mari.

Seu Adhemar era o síndico do prédio há mais de vinte anos. E olhando para o desconhecido Nico, como se suspeitasse de algo, pergunta:
- E esse é???

Antes que Nico com o cabelo todo desarrumado e a camisa com os botões trocados pudesse se pronunciar, Mari responde: 

- Esse é meu sobrinho!!! Meu sobrinho predileto!!!

- Ah, muito prazer. Arrume o botão da camisa rapaz, diz Seu Adhemar, se retirando com um aceno de mão.

Os dois esperam ele se afastar e subir as escadas para caírem na risada.

Nico arruma os botões da camisa e diz:

- O nome de seu sobrinho é Ni...Ele  é interrompido pela mão de Mari que tampa sua boca carinhosamente.
- Esqueça...não diga mais nada. Tá bom assim. Foi ma-ra-vi-lho-so desse jeito!!!

Nico espera ela retirar a mão e fala emocionado:
- Eu nunca vou esquecer!!!
- Nem eu!!! Diz Mari, com os olhos úmidos.

Após um longo abraço de despedida e um último beijo, ele sai. Ela fecha a porta lentamente sem tirar os olhos dele.

Mari resolve não colocar a aliança de volta, se enche de coragem e sobe com as sacolas. Estava decidida, que ou Herculano ou ela e a filha se mudariam daquele apartamento.

Nico, não sentia a noite fria, o ônibus logo chegou. Foi para casa com um sorriso indisfarçável, se sentindo o mais feliz dos homens. Aliás, se sentindo Homem!!!
No IPod de Nico, Paul McCartney canta “Maybe I’m Amazed”.

Naquela noite, Deus tinha colocado um anjo no caminho de cada um deles.

Entre outros*: A Teodoro Sampaio é, certamente, a rua brasileira com a maior concentração de lojas de instrumentos musicais.

Michelle e Clara

Layla, de Clapton; Julia, dos Beatles; Marina, de Caymmi, pelo menos um peso pesado Brazuca; e Michelle, também dos Fabfour.
Foram as opções que dei para o nome de nossa primeira filha.
Depois de quase dois anos casados, concordamos que era uma boa hora para termos um filho.
Pela última ultrassonografia, não restava mais dúvida do sexo da criança. Cabia agora à Lígia, a mãe, a grande escolha. Que, acreditem, se arrastou por dois meses.
Marina ela eliminou logo de cara. Era o nome de meu grande amor de adolescência. Expliquei que Lígia, de Tom, também estaria na lista, se não fosse o nome da mãe, mas acho que não convenci.
- Não me estresse, não me es-tres-se!!! Dizia, grávida de seis meses.
OK, tínhamos três opções ainda. Layla ela não gostou. Achou comum.
- Comum??? Perguntei. Já me via cantando Layla ao violão para a criança dormir.
- É, tive uma vizinha de apartamento que tinha uma poodle toy, barulhenta, chamada Layla. Não quero pensar na cachorrinha toda vez que chamar nossa filha.
Não tive como argumentar, e lá se foi minha opção predileta.
- Por que não Julia??? "Seashell eyes, windy smile, calls me..."
- Julia??? Dizia pensativa, no sétimo mês, torcendo o canto da boca.
- Julia é um nome lindo, sonoro!!! Um lindo nome pra uma criança linda!!! So I sing a song of love, Julia...Cantarolei.
Ela não disse que sim, nem que não.
No oitavo mês, acordou um dia, decidida:
- Será Michelle!!!
A opção que eu menos queria.
- Mas por que Michelle???
- Porque eu gosto!!! Respondeu.
- E Julia???
- O trato foi: suas opções e minha escolha. Respeite!!!
Era verdade, fui eu quem sugeri que fosse dessa forma. Quem mandou eu colocar Michelle na lista...

Tres Anos Depois

Michelle, aos tres anos, era uma criança adorável, esperta, doce e sociável. Frequentava a escolinha, e todos os dias tinha uma novidade pra contar.
Ela é do signo de Peixes e realmente nadava como um deles. Era a melhor da sua turma na escolhinha de natação.
Assistíamos desenhos animados juntos, sempre imitando os personagens. Por que as crianças assistem tantas vezes o mesmo filme???
Não via a hora de telefonar e ouvir sua voz, em minhas viagens, e ganhar seus desenhos, quando voltava para casa. Resistia colocar Michelle na cama, quando adormecia em meu colo. Só o pensamento que algo de mal poderia ocorrer a ela, já me causava dor. Queria estar sempre perto para protegê-la.
Adorava azeitona. Pizza para ela só se tivesse azeitona.
Diversas vezes me flagrava cantarolando: “Michelle, my belle, sont des mots qui vont tres bien ensemble...”. Até em importantes eventos musicais do trabalho.
É, eu estava loucamente apaixonado por ela!!! Uma paixão que crescia diariamente nos últimos tres anos.
Quando temos um filho, achamos que ensinaremos muita coisa a eles, mas na verdade somos nós que aprendemos muito mais.
Lígia me censurava, disfarçando o ciúme:
- Você estraga, não educa!!
Nosso casamento não andava grande coisa. De morno para frio, diria. Talvez até mais frio do que eu quisesse admitir. A única coisa que aquecia aquela casa, era a presença cheia de vida de Michelle.
Lígia andava meio quieta ultimamente, pensativa. Parecia meio fragilizada.
Recusava minhas tentativas de diálogo. Às vezes, se trancava no quarto e chorava.
Não se mostrava receptiva para o sexo. Em nada lembrava aquela “gata selvagem”, que parecia estar em um cio permanente, dos primeiros anos de nosso namoro e casamento.
Será que não soubemos evoluir e nos adequar ao passar dos anos???
Acordei no meio da noite com Lígia me cutucando. Eram 4:20 AM. Achei que estava roncando muito alto.
- O que foi??? Perguntei sonolento.
- Preciso te contar uma coisa...
“Deve ser sério”, pensei.
- Eu...eu estou grávida, disse pausadamente e sem alegria, já fiz o teste...
Não sabia o que dizer, nem como reagir.
- Pensei em tirar..., mas desisti. Contou suspirando.
- E se tirasse, não ia te contar.
- Por quê?
- Nós não estamos bem, você sabe...
- Quantos meses??? Perguntei já completamente sem sono.
- Quase dois... Pra mim também foi uma surpresa...
Surpresa??? Meu coração disparou. Eu não era nenhum santo, mas vinha me mantendo fiel, e a vontade de estar perto de Michelle, não me permitia ficar longe de casa além do tempo necessário. Nunca poderia imaginar uma infidelidade por parte de Lígia. Mas ultimamente quase não “transávamos”. Será que ela tinha arranjado um amante???
Notando minha inquietação completou:
- Foi naquele sexo “burocrático”, da nossa última vez. Sossegue!!!
Pelo menos o meu orgulho de “macho” sentiu um grande alívio.
- E a pílula???
- Eu parei, a gente já quase não transava...
Virou as costas para mim e desabou a chorar.
Abracei Lígia com força, tentando lhe passar calor e alguma segurança.
Não trocamos mais palavras, nem dormimos até o amanhecer.
Dias depois, fui me deitar às 2:37 AM., após finalizar um artigo em inglês, para a ‘”Rolling Stone” americana, sobre os movimentos musicais emergentes no Brasil.
Enquanto me ajeito no escuro, ouço a voz de Lígia:
- Se for menina vai se chamar Clara.
- Clara??? Por que Clara???
- Porque é como o céu azul, limpo, sem nuvens. Nada de trovoadas, nem tempestades. Cheio de claridade!!! Luz!!! Eu preciso de luz em minha vida!!!
- Bom, se você já decidiu. Mas, e Michelle??? Perguntei.
- O que tem Michelle???
- Ela não ilumina a sua vida???
- Sim, mas ilumina muito mais a sua do que a minha!!!
Acho que concordava com ela nesse ponto. Esperei mais um pouco e perguntei:
- E se for menino??? Na verdade eu gostava da idéia de ter um casal.
- Se for menino, você dá o nome que quiser, tá bom assim??? Mas sinto que é uma menina... Boa noite.
- Boa noite!!! Segurei e beijei a sua mão.
Antes de adormecer, pensei em Eddie, Eduardo Góes Soares do Nascimento, rockeiro fanático. Guitarrista exímio, tivemos uma banda juntos na adolescência. Eddie tinha três filhos: Eric, Jeff e Jimmy. Em homenagem aos deuses da guitarra inglesa. E dizia que, se tivesse mais um, seria Ritchie, em homenagem a Ritchie Blackmore, do Deep Purple. Para mim o curioso, agora, era como Eddie convencera sua mulher a colocar esses nomes. Quais os argumentos que ele usara??? Pelo jeito, Eddie não era somente um guitarrista virtuose, conhecia outros truques também. Não via Eddie há alguns anos, desde que fechou sua loja de LP’s raros, Gently Weeps, no Itaim-Bibi.
Em sete de junho de 2006, sob o signo de gêmeos, conforme a profecia materna, nasceu Clara.